Tuesday, June 05, 2012

Masterclass de Alexandre Desplat - CCVF

Ao fim de quase dois anos de inactividade, resolvi voltar a dar inicio à actividade deste blog. No começo, pretendia-se que este blog documentasse actividades culturais, eventos, enfim, devaneios de mentes ociosas...  A ajudar a este novo e confiante kick-off, está um pedido de um amigo para partilhar aquilo que foi a masterclass sobre produção de bandas sonoras para filmes de Alexandre Desplat.

Naquilo que foi uma sessão muito informal, simples e esclarecedora, e nada enfadonha, Desplat começou por algo que considera muito importante na sua actividade, a relação entre o compositor e o realizador. Mencionou a importância de criar uma ponte, um elo de confiança entre os dois de forma a levar o projecto a bom porto, com todas a questões associadas de sensibilidade, compreensão das ideias, que evoluem à medida que a relação profissional e de amizade se desenvolve. Deu alguns exemplos de colaborações prolongadas, tanto pessoais, com Jacques Audiard, Polanski entre outros, como os duos clássicos de Hollywood (Morricone-Leone, Williams-Spielberg, Elfman-Burton, etc). Referiu a importância de estar fisicamente com o realizador, do intercâmbio psicológico que acontece, de o perceber, e de saber se o caminho que está a tomar é do seu agrado.

Falou também de como as bandas sonoras evoluíram, as suas características: a verticalidade na novelle vague, onde os momentos são pontuais e isolados, como nos cartoons; a horizontalidade introduzida nos filmes de Truffaut, e como hoje em dia a banda sonora é uma sequência dinâmica, sendo no entanto submissa da dramaturgia.  

Algo que achei de particular interesse foi o exercício em que desagregou o processo de criação de bandas sonoras de alguns filmes. Para "Girl with a pearl earing" aqui mencionou a ideia de fugir a um tema barroco, o que seria demasiado óbvio dado o contexto do filme (o pintor Vermeer, por alturas de 1600s), a necessidade de criar uma envolvência sonora actual muito suave, quase invisível, onde o silêncio fosse marcadamente intercalado com o som, a riqueza das sensações visuais fosse reforçada com sensações auditivas, conseguidas através de um predomínio dos metais e dos instrumentos de sopro, a insistência nas altas frequências como forma de se adequar à luminosidade da imagem.
Para "Birth" falou do processo em que o Jon Glazer transmitiu o argumento como uma história de fantasia infantil com a floresta, o cavaleiro, que motivou a sonoridade quase "medieval" da introdução do filme. Em "Read my lips" de Jacques Audiard, referiu a importancia do silêncio, de manter sempre o mesmo tempo ou multiplos durante o filme todo.

Também mencionou o tempo curto que certos projectos tiveram, o que me surpreendeu bastante. Duas  semanas para "The king's speech" e três semanas para "The Queen"...

Para concluir foi um evento muito interessante, onde a simplicidade do orador cativou os presentes, e o conteúdo e forma foram muito relevantes para quem queria ter uma ideia dos processos de criação, alguma técnica ao de leve, e algumas incursões sobre as relações desenvolvidas. As ideias e descrições foram documentadas com extractos dos filmes em questão, o que funcionou muito bem.





© 2012 Francisco Bernardo

Saturday, July 03, 2010

Facial coreography!

Friday, February 12, 2010

Lightning in SloMo

Friday, May 11, 2007

Mão MOrta @ Theatro Circo

o Conde de Lautréamont ou, mais própriamente, Isidore Ducasse é um poeta francês com duas obras, "Os Cantos de Maldoror" e "Poesias" situando-se nos movimentos Surrealista e Situacionista. Depois de ter folheado o livro, decidi que o iria adquirir e ver o espectáculo baseado nele, que estava a ser preparado pelos Mão Morta. Casa cheia, foi uma actuação bem montada e desempenhada, com uma componente multimédia interessante.






Monday, October 23, 2006

MidAirCondo & Salvatore @ Casa das Artes

Depois de na terça feira ter o dia quase perfeito (tive que ir trabalhar!), com o concerto ao vivo na Tvi de manha e concerto de Dresden Dolls à noite, esta quinta feira de com MidAirCondo & Salvatore soube-me mesmo a pouco. Tão pouco que nem vou discorrer muito..


Dresden Dolls @ Casa das Artes

É a segunda vez que algo do género me acontece e ainda por cima no mesmo local. Começo a ficar, não acostumado, mas viciado no tipo de surpresas que tenho sempre que vou à Casa das Artes.
Faz mais de um ano quando vim de lá completamente siderado com o concerto que acabara de ver. Dessa vez, foi Kimmo Pujhonen que nos fez colar ao assento e viajarmos para outra dimensão, ao som do acordeão.
Aconselhados, rumamos a Famalicão para uma francesinha entre amigos e um concerto de uma banda que parecia ser interessante. Ainda para mais, o Duarte já tinha sacado uns videos que prometiam, com maminhas ao léu e muita maluqueira na componente de performance. O que eu não sabia era que o espectaculo, que estava prestes a presenciar, ia ter a qualidade que teve...

Entramos na sala, completamente cheia, já Thomas Truax (1ª parte) ia a meio da sua performance. Subimos até uma das ultimas filas de lugares que estavam disponíveis e de lá vislumbramos uma massa de de cabeças, muito pontuadas de ecrãs luminosos. Telemóveis, máquinas e câmaras digitais numa quantidade surpreendente, o que deve ter tornado este evento muito bem documentado.
Munido de gadgets sonoros da sua autoria, Thomas Truax contagiou o público não só com o seu som muito próprio, mas com uma boa disposição permanente. Ainda para mais, este deve ser o único artista a poder dizer que já tocou em todos os cantos da casa, como se pode ver.

Intervalo, tempo para um cigarrito rápido...

Quanto aos dresden dolls pode-se dizer que foi um espectáculo único. Segundos antes de entrarem toda a plateia se levantou, de um salto. A pouca formalidade a que estamos habituados na C.A. (toda a gente sentada!) reduziu-se a nenhuma. Formou-se uma massa de pessoas completamente colada ao palco.
No que diz respeito ao concerto, meus amigos... São raras as vezes em que assistimos a uma mistura de atributos que nele estiveram presentes. Beleza, força, simplicidade, comunicação, são os que mais se salientam e aplicados a ambos os músicos. Notava-se o dominio dos instrumentos, a capacidade fazer deles o que se queria, de forma a explorar toda uma amplitude de emoções; angústia, beleza, calma, caos, infantilidade, extâse...
O concerto foi uma alucinação, e quando terminou ainda viajava nela.
Para terminar quero dar o parabéns à C.A. e ao Paulo Brandão. De duas formas; por se continuar a organizar eventos como este e por fazer cinco anos de existencia, que foram comemorados com vino e um bolo às riscas (stripes rule!) cortado e servido aos presentes pelos proprios D.D..

Tuesday, October 17, 2006

Tatsumaki - Live@Braga






Festas da Censura Prévia, segunda noite

Friday, May 05, 2006

Festas da Censura Prévia, primeira noite

Aqui ficam os apetizers...











Thursday, May 04, 2006

Em jeito de prefácio

Às almas perdidas que cá vieram ter.. .
este é o nosso recreio.
Bemvindos ao reino das mentes Ociosas,
O recreio do Diabo!