Masterclass de Alexandre Desplat - CCVF
Ao fim de quase dois anos de inactividade, resolvi voltar a dar inicio à actividade deste blog. No começo, pretendia-se que este blog documentasse actividades culturais, eventos, enfim, devaneios de mentes ociosas... A ajudar a este novo e confiante kick-off, está um pedido de um amigo para partilhar aquilo que foi a masterclass sobre produção de bandas sonoras para filmes de Alexandre Desplat.
Naquilo que foi uma sessão muito informal, simples e esclarecedora, e nada enfadonha, Desplat começou por algo que considera muito importante na sua actividade, a relação entre o compositor e o realizador. Mencionou a importância de criar uma ponte, um elo de confiança entre os dois de forma a levar o projecto a bom porto, com todas a questões associadas de sensibilidade, compreensão das ideias, que evoluem à medida que a relação profissional e de amizade se desenvolve. Deu alguns exemplos de colaborações prolongadas, tanto pessoais, com Jacques Audiard, Polanski entre outros, como os duos clássicos de Hollywood (Morricone-Leone, Williams-Spielberg, Elfman-Burton, etc). Referiu a importância de estar fisicamente com o realizador, do intercâmbio psicológico que acontece, de o perceber, e de saber se o caminho que está a tomar é do seu agrado.
Algo que achei de particular interesse foi o exercício em que desagregou o processo de criação de bandas sonoras de alguns filmes. Para "Girl with a pearl earing" aqui mencionou a ideia de fugir a um tema barroco, o que seria demasiado óbvio dado o contexto do filme (o pintor Vermeer, por alturas de 1600s), a necessidade de criar uma envolvência sonora actual muito suave, quase invisível, onde o silêncio fosse marcadamente intercalado com o som, a riqueza das sensações visuais fosse reforçada com sensações auditivas, conseguidas através de um predomínio dos metais e dos instrumentos de sopro, a insistência nas altas frequências como forma de se adequar à luminosidade da imagem.
Para "Birth" falou do processo em que o Jon Glazer transmitiu o argumento como uma história de fantasia infantil com a floresta, o cavaleiro, que motivou a sonoridade quase "medieval" da introdução do filme. Em "Read my lips" de Jacques Audiard, referiu a importancia do silêncio, de manter sempre o mesmo tempo ou multiplos durante o filme todo.
Também mencionou o tempo curto que certos projectos tiveram, o que me surpreendeu bastante. Duas semanas para "The king's speech" e três semanas para "The Queen"...
Para concluir foi um evento muito interessante, onde a simplicidade do orador cativou os presentes, e o conteúdo e forma foram muito relevantes para quem queria ter uma ideia dos processos de criação, alguma técnica ao de leve, e algumas incursões sobre as relações desenvolvidas. As ideias e descrições foram documentadas com extractos dos filmes em questão, o que funcionou muito bem.
© 2012 Francisco Bernardo
Naquilo que foi uma sessão muito informal, simples e esclarecedora, e nada enfadonha, Desplat começou por algo que considera muito importante na sua actividade, a relação entre o compositor e o realizador. Mencionou a importância de criar uma ponte, um elo de confiança entre os dois de forma a levar o projecto a bom porto, com todas a questões associadas de sensibilidade, compreensão das ideias, que evoluem à medida que a relação profissional e de amizade se desenvolve. Deu alguns exemplos de colaborações prolongadas, tanto pessoais, com Jacques Audiard, Polanski entre outros, como os duos clássicos de Hollywood (Morricone-Leone, Williams-Spielberg, Elfman-Burton, etc). Referiu a importância de estar fisicamente com o realizador, do intercâmbio psicológico que acontece, de o perceber, e de saber se o caminho que está a tomar é do seu agrado.
Falou também de como as bandas sonoras evoluíram, as suas características: a verticalidade na novelle vague, onde os momentos são pontuais e isolados, como nos cartoons; a horizontalidade introduzida nos filmes de Truffaut, e como hoje em dia a banda sonora é uma sequência dinâmica, sendo no entanto submissa da dramaturgia.
Para "Birth" falou do processo em que o Jon Glazer transmitiu o argumento como uma história de fantasia infantil com a floresta, o cavaleiro, que motivou a sonoridade quase "medieval" da introdução do filme. Em "Read my lips" de Jacques Audiard, referiu a importancia do silêncio, de manter sempre o mesmo tempo ou multiplos durante o filme todo.
Também mencionou o tempo curto que certos projectos tiveram, o que me surpreendeu bastante. Duas semanas para "The king's speech" e três semanas para "The Queen"...
Para concluir foi um evento muito interessante, onde a simplicidade do orador cativou os presentes, e o conteúdo e forma foram muito relevantes para quem queria ter uma ideia dos processos de criação, alguma técnica ao de leve, e algumas incursões sobre as relações desenvolvidas. As ideias e descrições foram documentadas com extractos dos filmes em questão, o que funcionou muito bem.
© 2012 Francisco Bernardo
O Recreio do Diabo

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